Gente, minha colega de Pilates, a Janira é cheia de histórias que ela conta séria mas acabamos, nós os alunos, rindo muito.
Vejam esse caso, que aconteceu com uma amiga minha mas que tem a participação da Jacira.
A Janira e o bebê da
Bete
15 de dezembro de 2023
Minha
amiga Janira, vocês lembram, né? Faz aula de Pilates comigo. Já falei dela
outras vezes. Bem, ela vive numa constante luta pelo emagrecimento. Já passada
dos oitenta anos, continua vaidosa e cuidadosa. Compra tudo quanto é remédio,
pomada, pasta, pílula e ervas medicinais milagrosas – e as usa! – Compra tudo
pela internet. Em compensação, já que está tomando seus remédios e chás, se
desmancha na comilança, com fé nos remédios. Pense numa mulher que acredita em
cura rápida e milagrosa!
Esses
dias chegou na aula de Pilates com blusa mais larga recém-comprada, feliz pois
tinha emagrecido 5 quilos em menos de uma semana! Como? — perguntei:
Simplesmente tirei minha palmilha. Era ela que estava aumentando o meu peso. Eu
mesmo fiquei pensando se ela andava era comendo a palmilha numa sopa ou com
cuscuz. Mas foi maldade minha, claro.
Falando
em curandeiros de internet e milagreiros de antigamente, lembrei-me das minhas
colegas de trabalho no escritório da uma fábrica em que trabalhei. Eram quatro
ou cinco meninas, ali pelos seus vinte e poucos anos e uma delas, recém-casada,
estava recém-grávida. Ela estava ansiosa para saber o sexo da criança e naquela
época o exame ultrassom ainda não era muito acessível; o negócio era partir
para uma vidente.
Num
final de uma tarde de trabalho, ela chegou para as colegas e para mim dizendo que
não aguentava mais de ansiedade sobre o sexo do bebê. E o enxoval! — exclamava
ela. Então, nos convidou a ir com ela de ônibus à Vossoroca, lá nas quebradas
da vizinha cidade de Votorantim, onde lhe disseram que uma vidente, por uma
bagatela, uns trocado, lhe satisfaria a curiosidade.
E
lá fomos nós. Descemos do ônibus já era noite, andamos por umas vielas de
subida e descida, pulamos um corguinho e, enfim, batemos à porta da casinha de
porta e janela, tipo Lua morta, Rua torta, Tua porta, do Cassiano Ricardo.
Entramos todos e a vidente com avental de cozinha, chinelos de dedo e cabelo
daquele jeito, abriu uma cortina e pediu para a amiga ansiosa entrar num cômodo
atrás da cortina. Nós ficamos na sala, olhando os quadros do Sagrado Coração,
da Virgem Santíssima, uma moringa d´agua num canto e uma TV preto e branco
deligada no outro.
Não
deu nem tempo de a gente se sentar no estropiado sofá e já ouvimos nossa
colega, por trás da cortina, agradecendo e meio que se despedindo da vidente. Ouvíamos
suas risadinhas.
Toca
por não-sei-o-quê, uma das colegas que estavam ali com a gente na sala, deu
dois passos rápidos e inesperados, botou a cabeça pra dentro da cortina e nós a
ouvimos perguntar:
— Dona Jussara, eu nem sou casada
ainda, mas também quero ter filhos um dia. A senhora consegue saber assim, por
antecipação, qual será o sexo do meu bebê?
Ouvimos,
boquiabertos, a resposta da Dona Jussara:
— Quem disse que você não está
grávida?
Num
tempo em que a virgindade antes do casamento era coisa sagrada, nós ouvimos
aquilo e não rimos nem falamos nada. Discretamente, fomos saindo de fininho da
casinha da mulher e ficamos esperando lá fora, sob a luz de um poste.
A
Bete, na saída, disse que a vidente previu que seria menina. Estava feliz da
vida. Era o que ela queria: uma menina! Na verdade, passados seis ou sete
meses, nasceu um belo menino rechonchudo e saudável.
Nossa
outra colega, pseudônimo Claudete, pra rimar, não demorou muito veio nos
mostrar seu anel de noivado e o casamento foi meio que rápido também, sem
alarde e sem festa. Pegou o escritório de surpresa.
Em
50% de chance, a vidente errou. Mas a Jandira me saiu com essa, interrompendo
uma série de exercícios de alongamento:
— É, Fernando, mas se fosse hoje
em dia, ela poderia dizer que nascia menina ou menino, mas se ia ficar assim
depois de grande, isso ela só diria se pagasse nova consulta!
Vidente com presença de espírito tem mais chance de acerto...
ResponderExcluirGostei, Tiago, da tal da presença de espírito
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