Caros leitores e leitoras
Para estrear minhas postagens, selecionei a olho, um breve causo para não cansar vocês e que, de certa forma, dá o tom da maioria das minhas postagens aqui.
Fui ao consultório médico essa semana. Queria ver o doutor Jotacá Tapado Neto, urologista. Na sala de espera aguardava velho, mulher e criança; gente doente e gente acompanhante. Havia médico em todos os especialismos que o convênio cobre.
Do meu lado,
um pouco mais à direita, havia três mulheres já de seus trinta e poucos
aparentando quarenta e tantos. Nenhuma delas parecia doente, mas também não
tinham cara de saudáveis. Ficavam num liga e desliga de vídeo de celular em som
alto. Uma delas, que andava de cabeça baixa feito touro bravo não parava
sentada. Ia toda hora pegar água e bolacha doce numa estantezinha ao lado do
balcão de atendimento.
Mas era ir,
buscar, levar e voltar a ir à fonte. As três riam, comiam e bebiam.
O aviso
eletrônico da sala de espera não parava de chamar os pacientes: José Xixi- sala
2, urologista, dr. Tapado Neto; Manuela Panela, sala 6, doutora Maria Constança
Dores da Pança e nada de chamarem ao menos uma das três.
De repente, as
três cajazeiras levantam-se todas juntas, batem os farelos de bolacha das
saias, puxam a porta de vidro e partem para a rua sem verem a cara do médico.
Pois é,
comeram, beberam e acho que sararam. A doença era fome.
Escrevi isso em 21 de maio de 2018
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