Gente, eu contei na postagem anterior numa cronizacazinha, a história da Dor no dedo, lembrarm?
Pois, vou contar pra vocês uma continuação.
Mais uma da Juciara Jucilene em:
A vingança das galinhas
01 de dezembro de 2023
Minha amiga, Janira, uma sobre quem
escrevi o causo da dor no dedo, lembra? pois ela sofre de várias doençazinhas e
uma miríade de dores pelo corpo gordinho marrom, veio com mais uma, ou melhor
duas, essa semana durante a aula de Pilates.
Primeiro desmaiou na igreja na missa que ela
frequenta toda manhã, na rua do Sol, no centro de Maceió, desde que possa
passar na loja de bolos que fica no caminho da volta e arrebatar uns bons dois
pedações.
Pois bem, desmaiou entre duas fileiras de bancos da
igreja. Ajoelhou-se e quando foi se levantar,
antes do sinal da cruz e do sonoro “amém” em uníssono, caiu enrolada feito um
tatu-bola. O padre, lá do altar, pensou que fosse fé e misericórdia demais,
mas, felizmente, uma pia senhora e um morenão bonito, como ela frisou, logo
tentaram erguê-la. Ela dispensou de cara a senhora e o moreno de bom hálito
apôs no banco sentada.
Janira nos contou esse episódio entre o
riso e o medo – será que era a morte rondando? Para ela, ultimamente, todas as
dores são dores de morrer. Bom, eu que tenho tido a dor como a companheira mais
fiel, que vai comigo para onde eu vou e ainda se deita comigo, nem estranho
tanto o medinho que dá.
Dia desses, então, contou ela, que dormiu desde as
11 horas da manhã, quando saiu da nossa aula de Pilates e do jeito que chegou
na casa dela, que fica em frente à academia de Pilates, caiu dessa vez na cama,
e dormiu até a manhã seguinte. Diz que nem para fazer xixi no balde que mantido
religiosamente debaixo da cama ela acordou. Foi diretão mesmo, mas nem é essa a
segunda vez.
Aproveitando e fazendo como o humorista Costinha na
Escolinha do Professor Raimundo do Chico Anisio, inserindo um causo no outro, Janira segredou que tem deixado o tal do balde atrás da porta de entrada do
sobrado de dois andares onde mora, pois já aconteceu de uma parente sua ligar
dizendo que estava chegando para fazer-lhe uma visita e pedindo pelo amor de
todos os santos, que não esquecesse de deixar o balde facinho atrás da porta e
esta destrancada, porque ela não aguentaria subir dois lances de escada
segurando a aguaceira que estava por descer feito enxurrada.
Mas, voltando ao sonho de uma noite de verão
nordestino, Janira, contou entre um alongamento e outro, que sonhou
que tinha morrido. “De repente estava lá, deitada de barrigão pra cima com uma
porção de galinhas passeando por cima do meu corpo ainda quente.” Contou que elas
andavam, ciscavam, bicavam aqui e acolá resmungando: “tá vendo danada, tome!” e
mais: “e cadelê aquele dedo torto seu, me dá ele aqui”. No sonho as coisas
fazem mais ou menos sentido, galinhas podem falar.
Ela, ainda morta, perguntou aos seus botões e laços
de fita que usava no cabelo para os exercícios do Pilates: “será que eu morri
mesmo?” E pensou “se morri fui direto pro inferno, eita calor da febre do rato!”
Mas, não, até que poderia ser o céu, pois logo percebeu que era vingança das
galinhas; aquelas nas quais havia enfiado o dedo esquerdo da mão direita que
estava artrítico e inchado. Como diz o ditado: aqui se faz aqui se paga;
pudera, ela não estava morta coisa nenhuma!
Mas, para me solidarizar com ela e acalmá-la, falei
sobre a lista que encaminho semanalmente ao Homem lá em cima, com os nomes dos escolhidos
para ele ir chamando pra junto dele e expliquei, com voz de beato manso: “ fique
tranquila, que seu nome está na lista, sim, mas minha combinação com o Homem é
que ele pode saltear, inserir quem Ele quiser, conforme o desejo ou a farra dele, e colocar
outras pessoas na frente também; então, Juju, não perca o sono, porque que ela,
vem, vem, mas não se aperreie com a data.” E conclui com essa:
“Vá e durma em paz,
E sonhe com os anjos!”
Amém.
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